Pírusas, o fiel amigo.
3 02 2006Até aqui tudo muito bem. A mulher pede a sua tostazita e a meia-de-leite, o educado rapaz traz-lhe o pedido. O local produz-nos nos ouvidos aquele típico barulho de café a sair, gente a falar e chávenas a lavar. Pior pior, foi depois…
Imaginem a coisa. Estão a tomar café e a falar da vida com um amigo vosso. Uma simpática senhora toma a sua meia-de-leite e a tostazita, e passa nisto mais de 15 minutos. De repente, a sala cala-se. O barulho que nos envolvia quebra-se num silêncio assustador. A mulher levanta-se e grita:
Acontece que, momentos depois, me deu para pensar. Algo raro, bem sei, mas deu-me para pensar. E ali estava eu, a recordar-me da entrada vitoriosa daquela mulher naquele lugar, sozinha naquela café… Espera aí, eu disse sozinha?! Hum, bem me pareceu… É que, de facto, a mulher entrou SOZINHA no café, e passados 15 a 20 minutos de lá estar dentro, lembra-se que não sabe do raio do cão!!! E por isso uma dúzia de gente fica a fazer cara de parva, a olhar para o chão à procura do canito e com pena da mulher.
O que eu penso disto é que debaixo daquela mulher de pele encarquilhada escondia-se uma outra bem mais nova, com terríveis pensamentos malígnos na mente. E penso também que a mulher comeu a bela da tosta e a meia-de-leite à pala porque perdeu o seu Pírusas e nem tempo teve para PAGAR!!! Mesmo sem saber do Pírusas à mais de 20 minutos!!!
Quanto a mim, parece-me um bom disfarce. A mulher vai à sua vida sem pagar o que come, e ainda lhe dizem: “Óh mulher, corra, corra e vá atrás do cão que ainda o encontra!!”. E eu tudo bem…
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