Sempre em Pé, série 2.
30 11 2007Comentários : 2 Comentários »
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À medida que o tempo passa, esgotam-se segundos menos bem vividos. E ainda assim, somos capazes de vêr o bom que fizémos no tempo que foi perdido. Se assim é, pergunto-me como nos sentiremos quando começarmos a gastarmo-nos nesses preciosos segundos que o tempo retira à nossa vida. Quando começarmos a deixar a nossa marca no que fazemos diariamente, seja a beber café com uma amiga ou a correr apressadamente pelos corredores da faculdade. No entanto, até lá, muitas mais unidades de tempo ter-se-ão de esgotar. E difícilmente saberemos, talvez a nanosegundos finais de um sketch envolvente, se estamos ou não gastando esse tempo, ou simplesmente passando por ele.
Devagar, procuro prescrever o passado que serviu apenas para permanecer agora como arquivo de uma história; louca, de gente louca, e loucamente interpretada por alguém que possuí todas as qualidades mentais. Sou assim eu, e assim és tu que desse lado te interrogas sobre o que me motivou a escrever este texto sem sentido. Erradamente, chegarás a uma conclusão. Mas terás gasto segundos que por ti passaram sem te aperceberes, e “visto coisas outrora adormecidas. Porque é muitas vezes no erro, que coisas mágicas acontecem…”
Como tinha deixado as coisas chegarem àquele ponto? Em que altura da vida tinha perdido a convicção que sempre me caracterizara? Logo eu, que sempre desprezei quem desaproveitava o dom da vida e fugia da forma mais cobarde aos problemas, estava agora a questionar-me se valeria a pena continuar.
Quase sem dar por isso estava estacionado junto ao Cabo Espichel, lugar onde desde sempre costumava ir para meditar. Estava sozinho, a tempestade que se começava a manifestar não convidava a passeios. Quem me tinha conduzido ali? A minha consciência ou algo superior, que me queria obrigar a tomar uma decisão?
O vento soprava agora com violência e começava a chover abundantemente. Mas não me sentia desconfortável, antes pelo contrário. A visão daquele mar poderoso, violento, incansável tinha-me aclarado a mente. Aproximei-me da beira, para melhor contemplar aquele espectáculo proporcionado pela natureza. Lentamente abri os braços, sentindo o vento a envolver-me. Olhei para cima, enfrentando a chuva que me fustigava a cara, cada gota sentida mais intensamente que a anterior.
Quem era eu para ter o direito de desistir, perante aquela manifestação de força? Consegues sentir o mar? O vento? A chuva? Eles nunca desistirão, eles são a natureza! Grita-lhes! Sente! Tu és a natureza! Vive-a!
O vento projectou-me para trás, fazendo-me cair de costas. Não sei quanto tempo fiquei ali no chão, imóvel, mas a sentir-me mais vivo do que nunca. Quando a tempestade começou a acalmar, levantei-me. A quem quer que me tenha levado ali, obrigado. Nunca esquecerei esta lição.
Happy Tree Friends