Sabes, por vezes há palavras que não saem da mente. Não se chegam a encontrar com o papel; não se envolvem entre os grânulos de celulose e o dançar bailante de uma tinta em busca da sua caneta. Ficam em suspensos momentos, fixos num tempo impossível de recuperar. E deixam-se por lá, esquecidas, até que a mente as recupere: nunca de igual modo; jamais com a cúmplicidade doutrora.
Imagina o local onde essas palavras se deixaram esconder. Olha-o de todos os ângulos possíveis. Fará ele cenário; será feito de frames que compõem um “La vita è bella” ou um “Le Fabuleux Destin d’Amélie Poulain”? Viveremos nós nesse teatro de mágicas estranhas, que abre e fecha portas sem saberemos? Se sim, então quero desprender-me nesse tão mais fácil mundo perfeito, já que este custa tanto a mudar.
Chamar-me-ão idealista ou simples contador de sonhos. Dessas histórias que jamais se tornarão realidade, não mais na existência. Dessas que se formam de palavras como as que se perderam naquele local desabitado de ‘não-sentimentos’. Mas não será de lá que nos inspiramos? Que quando menos dúvidas, mas preenchidos de incertezas, buscamos formas de nos apaixonarmos?
E se pudesses chegar a esse local, tu que lês despercebido? Imagina a magia dessas palavras que exalam cúmplicidade, vindas de um espaço tão únicamente acolhedor e perdidas agora num nanosegundo qualquer do passado. Consegues alcançar essa terra desconhecida? Procuraste-o bem, bem lá onde a envolvência deste texto te levou? Pois então deixa-te absorver por essa terra, óh mágico sonhador. Que esse lugar onde frames de filmes de amor se fazem, onde palavras que outrora deviam ser proclamadas se escondem, está algures entre o teu entendimento e o batente de vermelho colorido que te faz dizê-las…
Quem sabe se ao encontrá-lo não te tornarás tu no poeta que não sei ser; não o que conta histórias do ontem, mas o que busca por um pequeno sonho. Pois que as cartas de amor não se fazem de palavras perdidas, mas transformam-nas em simples momentos de cúmplicidade.
Até breve, poeta.