Archive for Abril, 2007

Aetas.

Às vezes sonho voar. Sem avião, sem para-quedas; mas com as asas que me lançam em busca dos meus sonhos. Sentir o vento na cara, percebê-lo passar-me entre os dedos… E “curtir” o momento, disfrutá-lo na sua plenitude, em vez de estar frequentemente à conquista do futuro sem me lembrar do agora.
Serei idiota ou desleixado? Não. Apenas atento a pequenos promenores que nos enchem a alma. Há até quem me pergunte o que me faz trazer este sorriso na cara todos-os-dias, se fumo algumas ganzas para andar sempre a “aparvalhar”… Não. Não preciso da ganza para viver feliz. É um modo de vida: “não temos de andar sempre com cara de pau”, como dizia um amigo meu há uns tempos. Mas também é verdade que por vezes custa bastante manter este sorriso e estes “aparvalhanços”, sobretudo quando nos confrontam com situações que nos deixam embaraçados. E que fazer? Carregar o semblante e fazer de conta que estamos sempre chateados? Não. Não é por aí…
Ser feliz está apenas em apostar em encarar a vida de forma diferente. Objectiva, concreta. Muito menos mundana e habitual que as opções actuais de tantos. Curtir os bons momentos que os eventuais maus nos possam trazer. E se nos apetece chorar, porque não desfrutar do simples lavar do olho que a lagrima nos proporciona? Das boas recordações que a saudade nos traz?…
É por isso que sonho voar. Sem asas, sem para-quedas… somente para sentir o vento na cara, a adrenalina do momento. Porque sei que onde quer que eu vá cair, irei sempre parar a um lugar com coisas boas à minha espera… Mesmo que esfole o rabo na queda! Já vale pela vista lá de cima… Arriscas a saltar comigo?
Aetas: Carpe diem, quaim minimum credula postero.
[Voa: Aproveita o dia presente, confia pouco no amanhã.]
Anúncios

Abril 30, 2007 at 1:03 pm 5 comentários

Do melhor…

Este é capaz de ser um dos melhores textos satíricos que li nos últimos tempos. Provém do Rafeiro Perfumado, passem no seu estáminé que eu próprio recomendo!

“Tenho a certeza que todos os dias, em diferentes pontos do nosso Portugal, há alguém que se vira para o colega do lado e diz barbaridades como esta: Foste uma grande besta, se o Salazar ainda fosse vivo tenho a certeza que andavas na linha, levavas uma tareia, faziam de ti um exemplo e a seguir ias de cana!

E porquê? Não faço a mínima ideia e sinceramente, estou-me é perfeitamente nas tintas para os motivos. Desde que o apelidado de besta não seja eu e não me tenham feito nada que me leve a gritar assim, é evacuar no assunto e continuar em frente, ignorando aqueles que continuam sem acreditar que um dos motivos pelo qual Portugal não evoluiu mais no passado foi por causa de um dos períodos mais negros e bestializantes da nossa história, revivendo orgulhosamente não se sabe bem o quê, que ainda hoje prejudica também o nosso futuro.

O leitor perspicaz começa já a pensar “este gaijo está a tentar induzir-me na problemática da Universidade Independente”. Nada mais longe da verdade, o que vem demonstrar que não és assim tão perspicaz como julgavas. Onde raio foste encontrar nas minhas palavras alguma ligação à Universidade Independente?!? E eu só lá gaijo de induzir alguma coisa a alguém? Tem lá paciência de ler este poste até ao fim e não tentes provar que és esperto, ok?

Aquilo de que vos quero falar é desse maravilhoso concurso “O Maior Português de Sempre”, que terminou com a surpreendente vitória de António Oliveira Salazar, o ditador que governou os destinos do nosso país durante décadas, uma das épocas mais repressivas, fechadas e deprimentes do nosso país, a fazer lembrar a “gloriosa” Albânia de tempos não muito distantes.

Eu não sei o que mais me chocou, se foi a vitória de Salazar, se foi o facto de no segundo lugar ter ficado Álvaro Cunhal, se o facto de no pódio não ter ficado o nosso fundador, D. Afonso Henriques, sem o qual neste concurso estaríamos a escolher entre Cervantes, D. Juan Carlos ou o Raul do Real Madrid. Valha-nos que ao menos em terceiro lugar ficou Aristides de Sousa Mendes, responsável pela fuga à morte certa de milhares de judeus.

Claro que o valor deste concurso é muito relativo ou mesmo nulo, não nos podemos esquecer que em outros concursos do género, como a eleição da maior banda rock de sempre, culminou com a escolha dos Backstreet Boys, em detrimento de bandas consagradas como os Queen, U2, Pink Floyd, Aerosmith, entre tantas outras. O que é que eu quero dizer com isto? Pouco me importa que tenha ganho o Salazar, como pouco me importaria se tivesse ganho Álvaro Cunhal ou outro qualquer, apenas fico triste em constatar que o modo como os portugueses votaram no concurso demonstra o quanto ignoram ou desprezam o valor da nossa herança cultural e histórica.

Mas há uma questão que me perturba… conseguem imaginar como seriam canais como a blogosfera se ainda vivêssemos nessa época, onde a censura imperava, onde as reuniões eram proibidas e onde a segurança que se sentia era paga com a perda da liberdade? Acho que a leitura deste texto vos pode dar uma ideia aproximada, e muito me agradaria que todos tivessem consciência do perigo que representaria voltar a esses malfadados tempos.

Até sempre (presentemente a escrever-vos do Tarrafal),
Rafeiro Perfumado

PS: o presente texto foi revisto pelos Coronéis do Lápis Azul, pertencentes à Polícia Internacional e de Defesa do Estado. Estou a escrever esta explicação neste tamanhinho porque os gaijos já são velhotes e estão todos pitosgas!”

Abril 27, 2007 at 12:28 pm 2 comentários

Paixão: poesia & fotografia.

Sei de um olhar sorrateiro que se esconde atrás do sol,
finjindo vergonha quando sorri,
felina, a criatura deambuleia entre as ondas do mar,
vê-se que gosta dos salpicos da água no paredão,
que sustenta seu corpo dourado pelos raios de luz.

Só a consigo ver de longe, se me aproximo desaparece;
não pode ser, vejo-a de braços abertos abraçando o mar,
falar às ondas, trautear canções de embalar…
– Quem sois menina?
– Sou riso!… sou sombra do teu olhar!

Sempre que me queiras ver, olha o sol,
lá estarei para te sorrir e acenar!

poema: Carlos Reis; foto: [clicar aqui]

Abril 19, 2007 at 9:13 pm 6 comentários

Traços.

Pergunto-me se algum dia saberás distinguir a verdade da realidade. É que muitas vezes olho para o lado e vejo um mundo misto de verdadezinhas práticas, distantes da realidade que vivemos. Passo a explicar: Sabes quando batemos com a mão no peito, e dizemos que somos e fazemos, que mundo é belo e por isso devemos cuidar dele, mas depois ficamos com os pézinhos de molho, longe do que se passa lá fora? Sim, é disso que falo.
Nestes dias que passaram, aprendi a dar mais valor a determinadas coisas, e a (re)aprender que só somos felizes quando nos desgastamos pelo que amamos. Não falo em teorias mas em coisas práticas. Do tipo de coisas que nos fazem chegar a meio do dia a cheirar mal, todos suados, mas felizes porque a casa que estava toda dessarumada está agora limpa e com um aroma bem mais agradável.
Afinal, não interessa apenas armamo-nos em “galifões” e dizermos que queremos ser isto ou que estamos a fazer aquilo. Interessa sim lutar pelo que queremos, pelo que vale a pena. Sem palavriado. Com gestos que partem de nós, e não ficam pendentes de favores dos outros.
Há que tomar decisões. Daqui para a frente, eu vou estudar ainda mais. Fazer “suar e cheirar mal” o meu cérebro, para o ver arrumadinho daqui a uns tempos. Até porque também será disso que o meu futuro me trará frutos no futuro, e não apenas das mãos ao alto… Se não, se não lutar pelo meu futuro, não passarei de um incoerente, de um morno, sem ter frio ou quente.
A ver se deixo marcas minhas no mundo que habito, e não lhe passo ao lado em permanente hibernação no meu casulo. A ver se hoje desenho o que amanhã haverei de pintar…

Abril 9, 2007 at 10:29 am 8 comentários


Abril 2007
D S T Q Q S S
« Mar   Maio »
1234567
891011121314
15161718192021
22232425262728
2930  

Fresco, fresquinho!

Estatísticas...

  • 6,627 + (10700, no Blogger...)