Archive for Junho, 2007

Directamente.

Sinceramente, há indirectas que nos fazem bem. Que nos provocam uma vontade de quebrar a rotina e o pensamento; de fazer o coração palpitar com maior desejo e vontade de partir à luta. Mas outras há, que sinceramente, apenas partem corações.
Não. Recuso-me a entender a inveja pura e crua como forma de resposta. Isso não é ser pessoa, é ser menos que bicho… Parte-me o coração aperceber-me que ainda se permanece no ridículo das palavras trocadas enquanto se faz crochet, ou mesmo quando se abre o coração a público para se falar directamente de Algo que é tão importante utilizando mesquenhas frases sem sentido algum.
Partilho connvosco algo que se passou hoje, no meu dia, no meu presente. Vinha eu para casa, no Cais do Sodré, quando um espanhol me pede um minuto. Estava perdido dos amigos que estavam já na Costa da Caparica, dizia-me. E suplicava-me que o ajudasse a comprar o bilhete do barco, eram só 0.74€, e que comprava-o à minha frente, e mais tarde pediria a outros os 2€ que faltavam para apanhar o tranporte para a Costa. Vou ser sincero. Raramente dou dinheiro a quem me pede, prefiro pagar um café e alimentar realmente alguém que fomentar-lhe a sede por drogas… mas este rapaz, parecia-me mesmo muito sincero. Abri a carteira, vi uma moeda grandinha e uns trocos. “Tudo bem, rapaz. Hoje tu, amanhã eu…”, disse-lhe. Mexi nos trocos, e ao tirá-los todos descobri que tinha 0.75€ certos. Ficava a moeda. “Obrigado… queres ir comprar o bilhete comigo? Para não pensares que…” Ficou por ali. E eu também. Olhei de novo a carteira e pensei, “porra, este gajo está para aqui desesperado, e eu feito egoísta para ficar com a única moeda que me resta na carteira”. “Espera. Toma… “. Estendi-lhe a mão, e dei-lhe os 2€ que me restavam, e que lhe dariam para completar a viagem até à Costa. E da minha pobreza, dei tudo…
Sabem, não sei mesmo se o dinheiro iria servir para os bilhetes ou não. Apenas me recordei de um verdadeiro amigo meu. Há uns anos roubaram-lhe o telemóvel, e ele só dizia: “Olha, que ao menos lhe sirva para matar a fome e não para os vícios…” e estava era mesmo preocupado com o facto de perder os números de telefone todos! Neste caso, pensei o mesmo. “Deus providenciará…”
Estranha a relação entre o início do texto e o seu conteúdo? Simples. Esse meu amigo, que humilde me ensinou a ser pessoa, ganhou um pouco de sossego num pedaço desta terra e mar que nos dá tantas voltas à cabeça. E ganhou-o, porque simplesmente o mereceu. E sinceramente, assim espero eu conseguir passo a passo, no seu tempo, atingir e conseguir os meus objectivos. Merecendo…
Por isso estranho que ainda vivamos num mundo tão estúpido como este. Das intrigas e das, curto e grosso, merdas que nos atrapalham a vida. Sinceramente? Devemos ser felizes quando alguém que tanto trabalho fez por nós é reconhecido, mesmo que esse reconhecimento seja uma simples e mera referência numa revista de coscuvilhices. A sério. É que a inveja é uma coisa muito feia…
A quem servir este boné, pois que o ponha na cabeça. E não nos esqueçamos: “hoje tu, amanhã eu…”

Junho 27, 2007 at 11:30 pm 4 comentários

"Fim do banco".

Há muito que me interesso por pessoas que dando a entender ser uma coisa, acabam por se revelar de forma fantástica por outros motivos. E o fascínio provém sempre de agradáveis surpresas. Esta de que vos falo, é de Bruno Nogueira. Esse mesmo, o comediante que “se lembrou” de dizer que a cerveja perfeita é a dele, fazendo o país rir de ponta a ponta. Apresento aqui, um texto escrito pelo próprio e que nos faz, no mínimo, pensar um pouco…

A idade vai comendo a vida.
Vai ratando o futuro, e nós (eles) a verem.
Acorda-se com um dia a menos, e adormece-se com um dia a mais.
O calendário vai-nos mudando o corpo.
Vai-nos empurrando as costas, para a queda ser pequena.
Os velhos sabem de cor o chão.
Como quem sabe que está quase a chegar lá.
Desde que perdi a minha avó, que ganhei o respeito por quem mora no terceiro andar da idade.
Perde-se para ganhar.
E assim foi.
Emociona-me.
Que vida inteira pode ser sentada sozinha, num banco de jardim?
Com a idade, nunca escolhem o meio, sempre o fim do banco.
Em crianças, ter-se-iam sentado na outra ponta?
E deixam-se estar.
Respiram como podem.
Os olhos já não procuram nada. Já viram tudo.
Vão guardando o passado em rugas, para libertar a cabeça.
Em que pensam?
Na morte?
Os velhos não vivem. Deixam-se viver.
Os filhos já tem a vida deles, não os querem.
Tem de ir viajar e fazer compras para o jantar.
“O pai tem estado bem? Então vá, um beijinho.”
Picaram o ponto, e para eles está feito.
Os novos choram com o corpo todo, gritam e fazem caras de quem sofre.
Os velhos choram só com os olhos, que o resto não se vê.
E assim o fazem, no fim do telefonema.
Ninguém os quer com as doenças cheias de idade.
As mãos da idade cheiram a tudo, com as veias cansadas de mostrar o sangue a toda a gente.
As pernas vão perdendo caminho.
Os braços deixam de abraçar.
O coração começa a falhar, já bateu demais mesmo para quem amou pouco.
Vai-se esquecendo de bater.
E uma noite, sem avisar, desaprende.
Desliga os olhos e atira o corpo para o fim.

Ocupam agora o banco todo.
Do principio ao fim, todo ele é corpo.
E os filhos, cansados de telefonar, resmungam.
Morreram oitenta e dois anos, e nem mais um dia.
A cidade não pára, o mundo não interrompe, nada.
Os filhos enterram vinte anos, e guardam os outros sessenta e dois.
Os últimos vinte davam trabalho e de pouco valiam.
Não tem vagar para os guardar.
Mas de hoje em diante, esses vinte vão acordá-los todos os dias.
Até se deitarem sozinhos no banco que os vai deitar.

Junho 15, 2007 at 2:20 pm 4 comentários

Poetas de um sonho.

Sento-me aqui, na ponta desta nuvem. Olho o céu em meu redor, vejo o horizonte e o que lá em baixo se divide por montes e rios. Estou onde só eu posso estar, entre o mar dos meus olhos e o fogo da minha alma. Espero por ti… Não sei bem onde estás, não entendo quem és. Daqui, deste lado do meu sonho, vejo-te distante e ao meu lado, pressinto-te nas estrelas que caem do céu…
No sol que brilha todos os dias, no vento que faz esvoaçar o cabelo solto. Não. Não sei porque estás aqui, nem como, porquê, ou onde. Apenas que estás, como sempre estiveste e sempre estarás: tão distantemente perto, tão ausentemente presente, tão incrivelmente marcada em mim. Afinal eu sempre serei “tu”, sou sempre “tu”, nos momentos em que voamos naquela magia, nos instantes que somos tão teatralmente um do outro, nos momentos em que fingimos pertencer-nos.
Volto a olhar o horizonte. Abro os braços aqui no alto, e sinto o vento passear-me pelo corpo. Esta paz que me trazes, este abraço que me devolves… E pergunto-me porquê. Porque és afinal tão incansávelmente aquilo que tantas vezes desminto seres? Porque és tão invariavelmente presente no meu pensamento…? Sinto-te. Sinto a tua mão entrelaçar-se na minha, sinto esse sobro que fazes no meu pescoço e me arrepia. Sinto o vento que te traz a mim, e que te me tira com o parar da brisa…
E a brisa pára mesmo. Pára com o sopro, com o meu aproximar. Pára como a respiração que se corta, tão cortante, tão cortante… como mil facas. E é então que desejo e necessito. É então que algo precisa ser concretizado. É então que é preciso que se crie um laço, um laço tão forte… que não esteja jamais à espera de ser “quebrado”. E talvez não haja mesmo nada. Não reste mesmo nada que esteja à espera de ser chorado.
Afinal, de que resta chorar? Que interesse há em esperar? Somos apenas dois, tu e eu, perdidos no sono de um respirar. Poetas que não se encontram nas frases escritas, mas que anseiam p’lo agir e p’lo viver um do outro. Pelas pegadas que deixamos no chão; pelas mãos que estendemos um ao outro. Somos e seremos este sonho que agora escrevo. Agora, que vou caindo da ponta daquela nuvem, donde olhava o céu ao meu redor. Agora, que acordo deste sono que me prendeu a ti… e que deixou esta corda tecida entre nós, este laço que jamais nos separará. Este nó, que une o meu coração à tua alma…

Junho 9, 2007 at 5:13 pm 5 comentários

Amanhecer…

Hoje acordei com uma vontade imensa de redescobrir. Redescobrir o espaço que conheço, os olhares que comigo se cruzam, os sorrisos que meigamente me preenchem. Redescobrir o meu pequeno mundo que tantas vezes me leva a descurar, e a perder sem sequer saber que vou ganhar. E mais uma vez, acordei reconhecendo que “ausentarmo-nos de nós” nunca nos levará aos outros…

Junho 4, 2007 at 1:01 pm 6 comentários


Junho 2007
D S T Q Q S S
« Maio   Jul »
 12
3456789
10111213141516
17181920212223
24252627282930

Fresco, fresquinho!

Estatísticas...

  • 6,622 + (10700, no Blogger...)